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Alô, G4: Pode preparar aquele feijão preto…

setembro 27, 2009

Há cerca de três meses, mais precisamente no dia 10 de julho, fiz um réquiem para o Rio de Janeiro, a ex-cidade maravilhosa. Na ocasião, desenvolvi a tese de que a referida urbe estava irremediavelmente condenada à decadência.

Ato contínuo, um morador daquela província, o menino MARCOS VP, complementou: “Sêo Françuel, o Rio cheira a mofo e é como as enormes e encanecidas cristaleiras das salas das casas de família de Copacabana: um valhacouto escuro e empoeirado, mas repleto de boas lembranças do passado”.

O problema, Marcos, é que eles não se conformam apenas com as “boas lembranças do passado”. Querem crer que ainda são os maiorais. E por isso se submetem a um ridículo sem fim.  

Mais uma prova desta falta de noção ocorreu na noite deste domingo. Com o auxílio luxuoso do Canal PFC, os cariocas tentaram armar um circo para reviver as perdidas ilusões. E tome-lhe inauguração de estátua, presepada de pseudo-humoristas, loas às glórias do passado que os anos não trazem mais e outras mumunhas. Para completar a chibança, ainda chamaram para comentar (comentar é modo de dizer) o jogo Teixeira Heizer – um cidadão que transpirava o cheio de mofo das casas de madames, com uma linguagem tão empolada que faria corar até Paulo Cerqueira.

Pois muito bem.

Por incrível que pareça, tais presepadas fizeram efeito. E, até os 20 minutos do primeiro tempo, o Vitória se comportou em campo como se estivesse enfrentando o Alvinegro de Garrincha e Nilton Santos. Uma agonia dos seiscentos. Assim, ao ver o Leão acuado e sem atitude, só restou-me uma saída: baixar o som da TV.  

Ô, grória.

A partir de então, tudo mudou. Logo na seqüência, o endiabrado Leandro Domingues deu uma chapeleta num jogador do Botafogo e partiu para o ataque com gosto de querosene. Uma beleza, que se repetiu menos de 10 minutos depois, quando o camisa 10 do Rubro-Negro deu (lá ele) outra arrancada fenomenal, passou para Leandro (que partidaço!) e a criança foi dormir no barbante. 

Para me vingar, liguei novamente o som para ouvir o desinfeliz. E ele largou a seguinte: “Aconteceu o que se temia”. Como é, rapaz? O que se temia? (comi sua irmã e sua tia, seu sacana).

No entanto, mesmo com a madeira tendo começado a gemer, o disgramado do Teixeira Heizer não sossegava. ”O glorioso tem tradição e pode muito bem reverter este quadro atual”.

Glórias as céus, as palavras do canalhocrata se confirmaram. Na etapa complementar, o time de General Severiano realmente reverteu o quadro. Voltou mais desordenado ainda. E, neste clima nostálgico, o menino Leandro Domingues incorporou de vez os craques de antanho e realizou novas e sensacionais arrancadas de fazer Pelé se revirar no túmulo.

Que loucura futebol clube!

E foi por isso que, nem bem terminou a brocança, a população do Norte e Nordeste de Amaralina saiu batendo as panelas e cantando:

“Alô,G4: Pode preparar aquele feijão preto que eu tô voltando…”

P.S Berola, sacana, o Carnaval ainda não chegou. Guarde a disgrama desta máscara.

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