O dia em que fiz as pazes com Mancini

Por Benjamin José*

 

Amargosa inteira e uma banda de São Miguel das Matas (ê mundinho pequeno sô) sabem que minha relação com Wagner Mancini nunca foi das melhores porque tenho dificuldades em conviver com gente mais teimosa que eu e além disso temos dificuldades em estabelecer um diálogo porque parece que ele é surdo (ops ! deficiente auditivo, para ser politicamente correto) e não é adepto do uso de aparelho auditivo telex e por isso nunca escuta o que falo.

Pendengas à parte, estando eu em Salvador era mais que obrigação ir ajudar a orientar o time, haja vista Seu Françuel estar sobrecarregado nessa árdua tarefa, a qual vem desempenhando sozinho ultimamente. A caminho da Universidade Rubro Negra de Craques, tive de passar numa farmácia para comprar o Cepacol, pois com estádio cheio e o barulho ensurdecedor da T.U.I., sempre é preciso gritar mais e a garganta sempre acaba falhando. Entrando na farmácia, ouvi duas senhoras falando sobre a tal gripe suína e lembrei que a porcalhada do Parque Antártica poderia trazer o vírus para cá. Como seguro morreu de velho, com o dinheiro do Cepacol comprei o Tamiflu e fui confiando em pegar carona no Cepacol do Butragueño do Nordeste de Amaralina.

Já no estádio, com ajuda dos meninos Michel e Peter, procurei pelo rouco locutor, mas como o último dos homens das cavernas não usa celular, impossível encontrá-lo. Como sei que ele assiste aos jogos no espaço antes ocupado pela Leões da Fiel, próximo aos Imbatíveis, resolvi, mesmo sem Cepacol, ir para o outro lado, próximo de onde alguns torcedores do time de John Lennon (O Sonho Acabou), vestidos com camisas do Palmeiras (porque não tiveram coragem de vir com a incolor) vieram aprender como se ganha de um time de São Paulo. Assim seriam dois a orientar Mancini, um em cada lado do campo.

Para minha surpresa percebi que tinham razão aqueles que falaram que nesse retorno Mancini estava mais humilde e menos teimoso. Comprovei isso ao ver que, seguindo minhas reivindicações, ele tirou o esquema com três volantes e lançou Ramon ao lado de Domingues, mantendo Berola ao lado de Roger e que acabou sua paixão por jogadores chamados Marco Aurélio.

Começou o jogo e os meninos do Leão logo mostraram que não tinham medo do H1N1 e partiram para cima do porco. Viáfara mostrou que estudou na escola de Renê Higuita, demonstrou segurança, tranquilidade e até deu drible humilhante em Vagner Amor. Apodi começou a aprender a marcar e só de vez em quando lembrava que é maluco. Fábio Balada insistia em enterrar o baba, mas o menino Wallace não deixava. Leandro fazia seu feijão com arroz, mas com algum tempero, enquanto Vanderson e Uéliton, sem dar botinadas para não tomar cartão, metiam o cotovelo e iam abrindo o caminho. Do meio para a frente Ramon armando, marcando e cadenciando o jogo deu a impressão que tava seguindo a dieta de Jackson (porque corria o campo inteiro,). O menino Berola brincava de entortar zagueiros, mas quando ficou cara a cara com São Marcos, lembrou da Copa do Mundo de 2002 quando o goleirão era o paredão brasileiro. Tremeu e não marcou. Já Roger deu uma trabalheira à zaga suína e acertou um chutaço no travessão e mesmo não marcando, agradou a todos. Para variar, o soprador de apito procurava um jeito de prejudicar o Leão. Bom de tanto falarem que Ramon e Domingues não poderiam jogar juntos, este último vendo o Reizinho jogar deve ter pensado que não estava em campo e por isso sumiu do jogo.

Terminado o primeiro tempo em 1 x 1, Mancini ouviu meu recado e nos vestiários disse a Berola que Marcos sempre treme quando joga contra o Vitória, então o menino voltou brocando ao finalizar uma jogada que teve início num momento em que Leandro Domingues passou perto do banco de reservas e ouviu alguém comentando que ele iria sair e só então se deu conta de que estava em campo e passou a jogar, permanecendo em campo por um minuto apenas. Em seguida, Derlei fez sua estréia me fazendo lembrar Sotero Monteiro que dizia que bom jogador se conhece no arriar das malas. Pois é, o portuga entrou e logo obrigou Marcos a fazer uma grande defesa e mostrando oportunismo fez o seu também. Querendo garantir o resultado, Mancini colocou em campo o irmão de Garrinchinha e Carlos Alberto. No final, para marcar presença, Fábio Balada deixou o porco diminuir. Com os 3 pontos garantidos, já sem voz, mas feliz pela vitória e pelo Vitória, reconhecendo que Mancini nesse seu retorno deu grande demonstração de profissionalismo e humildade ao fazer as pazes com Ramon, não me restou outra alternativa a não ser também me mostrar humilde tanto quanto ele foi e superar minhas nossas diferenças.

Para celebrar nosso cachimbo da paz, pensei em convidá-lo para comermos um churrasco de porco bebendo uma cachaça temperada com murici, mas como essa história de churrasco já deu problema anteriormente e nossa amizade ainda é muito recente, achei melhor evitar. Mas para não passar em branco fui com uns velhos amigos comemorar numa pizzaria aproveitando a promoção de pizza portuguesa: pague 1 e leve 4.

Saudações Leoninas !!!

 

Benjamin José é Puliça, mas é gente boa.

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16 Respostas to “O dia em que fiz as pazes com Mancini”

  1. Mateus Borba Says:

    huauhahahhuaa, li numa tapa! ri demais!

  2. Anrafel Says:

    No terceiro gol, Ramon deu um nó na balística do futebol. Escanteio do lado direito, cobrado com a parte interna do pé direito direto para o gol. Marcos, que havia se adiantado, voltou esbaforido e, mais uma vez, colaborou com o Vitória.

    • Mateus Borba Says:

      Também fiquei pensando nisso. Quem bate assim é Marcelinho Carioca, mas ele faz um movimento bem diferente com o pé e com o corpo, e consegue bater de chapa com a bola curvando pra dentro.

      Ramon bateu na bola como sempre, provavelmente arrebentou com as leis da física naquele lance.

  3. Jair Porciûncula Says:

    O rapá, não confunda meu técnico com essa ninsgraça tricolor que manda na Bahia. O Vagner Mancini se escreve com V de Vitória e não com W de Wagareza!

  4. Daniel Ewerton Says:

    Franciel, você conhece Amargosa mesmo??

  5. Logan Says:

    Ontem foi meia portuguesa meia italiana!

  6. Lucas Serra Says:

    kkkkkkk

    Benjamin é seu irmão?

    O drible de Viáfara foi covardia, depois dessa Vagner “amor”, que já estava perdido em campo” piorou de vez!!

    SRN

  7. Maurição do Vit Says:

    Gostei não, acompanho os textos do franciel a decadas e esse foi o pior, borococho

  8. Alberto Says:

    Preste atenção em Derlei! Garanto desde já que vai trazer grandes alegrias ao Vitória, inclusive contra o Inter… To cantando aqui, ele vai entrar faltando 10 minutos e vai fazer o dele. 1×0 ferrado.
    E não vale a ressalva de que todos os nosso ultimos artilheiros estrearam marcando, virando idolos instantaneos e acabram por decepcionar, nao. O cara já foi campeão mundial, não da pra misturar com Roger ou Neto Baiano. Sem falar que ele deixou o clube dele com idolo, o ninja, como era conhecido desde dos tempos do Porto. Deixou o clube marcando duas vezes em sua ultima partida (ele vai até o fim, não pára como os que conhecemos..) Agora vai!!! Manicini está escalando bem os times, temos um bom atacante, uma defesa que precisa de ajustes mas é promissora e um bom meio campo… Se o técnico não estragar meu baba com as mudancas erradas como fez contra o Gremio a coisa anda! e anda muito bem!

  9. Cury Says:

    Franciel, com o perdão do trocadilho, esse blog é campeão.

    Como em todo jogo no Barradão, para esse do Palmeiras fiz um vídeo:

    Os três gols em áudio e vídeo exclusivos.

    O texto está no http://www.vitorianobarradao.blogspot.com

    Abraços a todos.

    • Franciel Says:

      Obrigado pelos imerecidos elogios.

      E, como tô com uma preguiça da zorra e uma incurável ressaca, vou aproveitar e divulgar seu blog lá na página principal.

      Depois mando a fatura.

  10. valmerson Says:

    vamo vamo nêgo!!!!!!!!!!!!!!!!!

  11. Cury Says:

    Porra, relendo o que escrevi, fiquei na dúvida se fui bem entendido, mas só pra deixar claro, o blog campeão a qual eu me referia era o de vossa excelência.

    E obrigado pelo incentivo.

  12. Cury Says:

    É o rock.

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