Discurso para a conquista da América

Até as 16h30 do dia 12 agosto deste ano da graça de 2009, um espectro de angústia assombrava o Vitória e, consequentemente, o País. Sim, o fantasma da inquietação perturbava o Rubro-Negro e Pindorama, já que o destino de um está umbilicalmente ligado ao do outro. Mas, graças aos céus, a nuvem de desespero dissipou-se. O grave problema da nação foi resolvido com a (re) contratação de Vágner Mancini para dirigir o Leão. Portanto, pode vibrar torcida brasileira…

“Mas, Françuel, até outro dia o senhor não tinha uma série de restrições ao referido?”, indaga-me uma ouvinte com uma memória de fazer inveja a Funes – aquele personagem de Borges que nunca conseguia esquecer porra de nada.

Como tenho muita paciência com moças eruditas, respondo. Seguinte é este, minha comadre. Eu não tinha restrições ao referido. O verbo deve ser colocado no presente. Ainda as tenho. Afinal, nem ele nem eu mudamos nestes últimos seis meses.

“Agora, danou-se. Por que diabos então comemorar a contratação de Pirracini? Como diria Didi Mocó Sonrisal Colesterol, agora eu fiquei cafusa”, reverberou a criatura com um ar de loira.

Como tenho um apreço por meninas galegas que citam Renato Aragão, explico: A questão, minha amiga, é que as outras opções que foram especuladas não faziam bem às minhas maltratadas pontes de safena. Ao contrário. Havia séculos que este cardíaco locutor não passava tanto dissabores. Foram dias e dias de sofrimento. Era alguém citar o nome de um Valdemar Lemos e minha pressão batia 19 x 14. Bastava um outro sugerir Márcio Bittencourt ou Cuca – e este hipocondríaco que vos sopra prosopopéia se entupia de medicamentos. Agora, aborrecimento, aborrecimento mesmo, eu tinha quando alguém mencionava o nome de Renê Simões.

Putaquepariu futebol e regatas!

Já imaginaram ter que encarar uma sangrenta competição sulamericana com um psicólogo da estirpe de Renê Simões e sua conversa empolada?

Deus é pai.

Aliás, antes mesmo de o referido ser contratado, eu já estava padecendo com as chacotas dos amigos – esta raça de gente ruim e impiedosa. Um deles, inclusive, largou o seguinte escárnio: “Tá tudo certo, França. É só botar Paulinho Cerqueira como assistente de Renê, pois só um entende o que o outro fala e vice-versa”.

Como é que as pessoas podem ser sádicas a este ponto? Perguntava aos meus desgastados botões, que nunca respondiam.

Mas, já que falei em sadismo, vamos ao discurso que nos interessa. Neste malvado campeonato continental devemos nos orientar pelas palavras do miserávo Hernan Cortez, espanhol fidumasanta que botô pra vê tauba lasca ni banda na época da colonização mexicana. Pois muito bem. Para conquistar a América, além de jogar muita bola, precisamos também deste tipo de discurso. Ouçam.

“Soldados do Vitória! Antes de tudo há de lutar! As caravelas mandei-as afundar, para não terdes qualquer veleidade de voltar. Há que lutar com as armas que tendes à mão. E se vo-las romperem em violento combate, então há que brigar a socos e pontapés. E se vos quebrarem os braços e as pernas, não olvidei os dentes. E se havendo feito isso, a morte chegar, mesmo assim não tereis dado a última medida de sua devoção, não! É preciso que o mau cheiro de vossos cadáveres empeste o ar e torne impossível a respiração dos inimigos do Rubro-Negro. Avante, por Deus e pela torcida do Leão”.

Poizé, amigos. É com este tipo de motivação que nossos jogadores têm que entrar em campo nesta batalha internacional. É fato que os 2 x 0 diante do Coritiba na quinta-feira à noite não foi ruim, mas poderia ter sido melhor. Afinal, como já ensinou a Santa e Pacífica Irmã Dulce, “Quando eu descubro que o burro é banguela, eu dou milho seco. Ou o disgramado lasca a gengiva ou morre de fome”.

Palavras da Salvação!

Umbora Bitória, Carajo!

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9 Respostas to “Discurso para a conquista da América”

  1. Rodrigo Says:

    Franciel,

    Foi mesmo o fim da linha para os golpistas. Ricardo Silva pediu antes do jogo para jogarem o “feijão com arroz” e, há tempos, não via o grupo tão obediente.

    Abraço!

  2. Maurição do Vit Says:

    Franciel tem uma pergunta que não quer calar:

    Franciel, em buraco de paca tatu caminha dentro?

  3. Geraldo Says:

    Que porra é essa com a santinha Dulce desta vez vc pegou pesado e olhe que ela torcia pro nosso clube e vc não aliviou.

  4. paulo galo Says:

    O Leão voltou. Segura o tranco, Goiás, o Leão voltou.
    Para o segundo turno -uma tabela BASTANTE mais favorável ao Glorioso- falta-nos, principalmente, um centro-avante de qualidade mediana pra boa, tipo Dinei. Não carecemos de mais que isso, as bolas chegarão pra ele como têm chegado para o cão do Roger jogar no mato, aquele miserável. Devia ir pro Carniça de Itinga FC, fazer dupla com Nadson Baladeiro.
    VI-TÓ-RIA!

  5. Lucas Serra Says:

    Seu Françuel, para vc, qual a prioridade do Vitória? Brasileirão ou Sul-Americana?

    SRN

  6. Logan Says:

    Não tem que existir isso de prioridade, tem que jogar as duas com a mesma vontade, e sem essa de entrar com time de reserva, boleiro é pago pra jogar.

  7. Fredson Says:

    Eu gosto mesmo é dessa empolgação de vocês!!! No inicio do Brasileirão era a mesma coisa….vamo em frente!!!

    • Victornyo Says:

      Meu jovem… Vcs chegaram em casa! A zona é seu ninho! E que esse conforto nunca vos abandone! Boa sorte!
      Mua… ha… ha.

      Eu gosto é dessa alegria de vcs, é preciso meu time vacilar para vcs terem alguma alegria.

      Coitados.

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