Um chelpe histórico

Às vezes, é mais fácil um banqueiro com suas corruptas gorduras passar no fundo de uma agulha do que se determinar a autoria de uma frase espirituosa no futebol. Afinal, como este é um ramo em que se fala muita besteira (vide estas minhas malamanhadas resenhas), quando surge algo inteligente aparecem logo vários donos. Por exemplo. Aquela tirada tradicional de que “se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado”, é atribuída ora a Neném Prancha, ora a João Saldanha, fica a gosto do freguês.

O mesmo vale para aquele sensacional diálogo entre o repórter e o zagueiro, que uns garantem ser do pernambucano Ricardo Rocha e outros afirmam que foi do também zagueiro Antônio Carlos. Para os que não lembram, ou não sabem, repito.

Seguinte.

Todo afoito, o homem da latinha perguntou: “E aí, o senhor veio para somar?”. De bate-pronto, na canela, devolveu o boleiro: “Quem soma é calculadora. Eu vim para jogar bola”.

Pois muito bem. Nem quero saber de quem é a autoria destas frases. Citei-as apenas para destacar o que merece ser louvado aqui nesta chinfrosa tribuna: a apropriação feita deste ensinamento pelo menino Carpegiane, que largou a seguinte e antológica resposta na coletiva de ontem Ouçam: “A diretoria já me apresentou alguns jogadores, mas eu neguei todos. Não podemos trazer mais atletas para empilhar no elenco. Quem vier tem que chegar para jogar e disputar forte a titularidade”.

É isso aí, garoto. Tem que trazer gente para jogar. Quem soma é calculadora. 

Que beleza! Depois deste chelpe histórico na diretoria, o homem do horrível óculos Ray-ban não me deve mais nada. Como disse meu amigo Benjamim, a partir de agora ele pode orientar o time até com uma cueca na cabeça que lhe darei razão.

Não bastasse isso, Carpegiani ainda meteu o dedo (lá nele) em uma das nossas maiores chagas: a lateral esquerda. Ouçam novamente: “A lateral esquerda eu já falei que precisa de mais suporte na marcação, mas também temos que ter uma boa assistência ao ataque”. Traduzindo: necessitamos de um jogador para honrar o manto que já foi vestido por Jorge Valença e Leandrinho, entre outros.

Por conta destas declarações, acho que Carpegiani já passou no primeiro teste com louvor. Logo mais à noite, conferiremos se ele tirará boa nota na prova contra o Juventude. Eu aposto que sim. E, se for preciso, voltarei a usar meu cepacol para lhe dar algumas pescas, isto é, algumas dicas para que ele nos ajude a brocarmos em todas as competições. E também lhe ensinarei aquele grito que já ressoa do Areal até o Vale das Pedrinhas:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

11 Respostas to “Um chelpe histórico”

  1. Dalmo Carrera Says:

    Franciel, nem sei se posso chamar de frase espirituosa ou uma citação preconceituosa, mas segundo o repórter Dilton Lopes, o veterano técnico Evaristo de Macedo, ao se referi ao um certo jogador do Bahia, disse:

    ”Carro do ano, mulher loira e bonita, dente de ouro e a bolinha deste tamanho, e o pior, a mãe passando fome”

    Aliás, o Evaristo em matéria de ironia também era um mestre. Seu Vitória não mete menos que quatro hoje. O problema será no domingo que antecede o domingo do dia das mães

    Abraços

  2. Têre Says:

    Francis,

    Vejo que você já é quase um “tiete” do homem de lindo óculos!Imagina quando ele conquistar a copa do brasil e classificar para libertadores (pois o baianinho já é nosso mesmo que jogássemos sob o comando de MF- que Deus o tenha e não traga nunca mais)

    Hoje você não precisará usar seu cepacol.

    Só você para usar esta palavra que eu não escuto a tempos: Chelpe!!!

    Umbora Bitória, Carajo!!!

    Ps: Não vejo a hora de darmos o chelpe na ovelhinha.

    Hoje todos os caminhos levam ao monumental.

  3. Jair Porciúncula Says:

    Franciel,
    Para um tyime que, além de Jorge Valença e Leandrinho, já teve Júnior e Esquerdinha como titulares da posição, merece algo bem melhor que Luciano ALmeida, Roque e Nil. Garanto que no dente-de-leite (deixe os hífens) tem um lateral esquerdo mais capacitado a usar a 6 do time preincipal do que os três trambolhos trazidos este ano por Jorginho-Cabeça-de-Trolha.
    Rumbora Bitória, Carajo!

    PS. Não deixe essa corja triocolor comentar neste blog. Afinal, este é um espaço de primeira e não pode ser contaminado por essas carniças.

  4. Lucas Serra Says:

    Francie, esse Carpegiani tá querendo ganhar moral com a torcida… rsrsrsrs Que ele continue enxergando as dificuldades (não precisa falar todas em píblico) e que possa resolvê-las!

    UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

  5. Ernandes Santos Says:

    Quem ainda não passou no teste foi o diretor de Marketing do clube, Ricardo Azevedo, que teve a genial ideia de mudar o nome do Vitória depois de ser aconselhado por uma numeróloga. Em vez de disso, deveria se preocupar com coisas reais como falta de formulários para cadastro no Sou Mais Vitória – fui duas vezes no posto do Center Lapa e ouvir o famoso “tem, mas acabou” – ou com a falta de camisas oficiais ou ainda com a modernização do site oficial (e não aquele atualizado a cada quinze dias). É por isso que peço a Deus, muita paciência, porque se pedir forças e ele me der, eu quebro este bando felas da puta no pau. Ui!

  6. Victor Nyo Says:

    Rapaz… No dialeto aqui da suburbana, a palavra é “chepe”. Também tinha um tempão que não escutava.

    Hoje, o maledeto professor de Sistemas Operacionais, que é Jaêa, tentou sabotar minha ida ao Monumental, marcando uma prova.
    Só que hoje eu tenho que ir de qualquer jeito! Meirmão, a aula começa 19h, 20h no Maximo eu termino aquela poha, vou dar uma de Apodi e correr comadisgrama até o Santuário!

    Véi, o cara sacou o intocável Bida meirmão… O cara tem pulso. Hoje, ou “os intocáveis” jogam bola, ou vão comer banco!

    Hoje eu to lá, mesmo que atrasado, por que hoje é o dia, da alegria, e a tristeza, já pegou o avião prá Curitiba! Diga espelho meu!!! Se há Ray Ban mais estranho que o meeu!!!

  7. casarubronegra Says:

    Já tava com saudade de seus posts. Carpegiani chegou apertando as feridas de AP e JS. Estava mais que na hora de um treinador competente vociferar contra o apequenamento do Leão.

  8. Victor Says:

    “Quem soma é calculadora…”

    A frase que melhor se encaixa em nosso panorama atual seu Françuel, estamos de saco cheio desses jogadores binários.

    PS: Post Relacionado

    http://ecvitoriapress.wordpress.com

  9. Lacerda Says:

    Todos os caminhos hj levam ao monumental , gostei da postura de PCC só espero que ele não esmoreça com a apatia da dupla de dois AP e JS com o andar da carruagem , mas vamos aguardar .
    CARAJO ! UMBORA BITÓRIA

  10. Anrafel Says:

    “Se esses técnicos forem em futebol o que são em estética, estamos fritos”, disse sabiamente Sotero Monteiro Veloso.

    Estão aí o bigode de Toninho Cerezzo e o ray-ban de Carpeggiani, que, por coincidência, foram no futebol, equivalentemente, o bicho.

  11. Ernandes Santos Says:

    Chelpe? Só conheço a palavra em suburbanês que é xepo, pois naquele tempo não existia ch. Chelpe é coisa de menino amarelo

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