É preciso respeitar a mãe de todas as batalhas

O menino Nelson Rodrigues era um mentiroso. Aliás, não. Em respeito à exatidão, retifico. O filho de Mário Rodrigues, na verdade, era um equivocado – especialmente nas questões relativas ao ludopédio. Certa feita, por exemplo, o renomado pernambucano asseverou que o FLA X FLU nasceu quarenta minutos antes do nada, e só depois Deus criou o mundo. Humpf, ai, ai. Qualquer pessoa que tenha concluído o supletivo ou então o curso por correspondência do Instituto Universal Brasileiro sabe que tal assertiva não passa de uma rematada bobagem. A verdadeira mãe de todas as batalhas, a peleja que veio antes do verbo foi o glorioso BA x VI. Que mané classicozinho carioca o quê!

E em defesa desta minha teoria invoco e emulo ninguém menos que Fernando Pessoa, na voz rouca de Alberto Caeiro. Ouçam. “O FLA x FLU é o mais belo clássico de minha aldeia. Mas o FLA x FLU não é o mais belo clássico de minha aldeia porque o FLA x FLU não é o clássico de minha aldeia. O clássico de minha aldeia que não me deixa pensar em mais nada é o meu querido, idolatrado, salve, salve BA x VI”.

Sabe das coisas este menino Alberto Caeiro. E ele sabe que o confronto entre Rubro-Negros e tricolores tem que ser respeitado. Mais que isso. Reverenciado. Aquela reverência que devotamos aos nossos amores mais sagrados. Os que assim não procedem diante da referida labuta pagam muito caro. E ontem não foi diferente.

Primeiro, vamos tratar de VIÁAAAAFARA, que tem como atenuante o fato de desconhecer a importância desta epopéia por não ser baiano. Pois bem. Talvez por esse defeito de nascença, desde o começo da partida, o referido arqueiro não soube entender a dimensão do jogo. E tome-lhe presepadas. A partida num 0 x 0 impiedoso e injusto – e ele fazendo gracinha, dando dribles humilhantes nos atacantes do Itinga, atitude expressamente proibida pela Carta Magna, Bíblia Sagrada, Alcorão e outros documentos tão profanos quanto Maktub. Ao goleiro não é dado o direito de fazer presepada no BA x VI.

E o castigo veio a cavalo. Ou melhor, a frango.

Porém, este deslize de Viáfara foi nada diante da, da, da, como direi? falta-me o adjetivo agora, atitude da atual diretoria do Rubro-Negro. Irmãos, ouçam bem. Até Ivan Lins, que tem aquela voz estridente de quem canta como que tá atrasado para ir no sanitário, sabe que não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo. Imaginem, então, entregar a rapadura antes mesmo da bola rolar. Pois não foi exatamente o que a diretoria do Leão fez. Eles envergonharam uma nação, numa atitude inacreditavelmente desrespeitosa. Afinal, como é que alguém cede quase metade do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, para o inimigo e deixa seus seguidores espremidos nos 60% restantes da arquibancada ou DESPENCANDO dos morros e barrancos? Como? Respondam-me.

Mas, se tal procedimento já não fosse digno de uma surra de cansanção em todos os diretores e suplentes e parentes e agregados e etc e coisa e tals, a direção Rubro-Negra cometeu um pecado ainda maior: deixou Arilson da Anunciação, aquele que tem uma irresistível vocação para o FURTO QUALIFICADO, apitar o jogo. Além de enojar meu baba o tempo todo, invertendo faltas e outras mumunhas, o sacana ainda anulou um gol legítimo. Porém, tudo isso é pouco. A maior indecência praticada pelo referido assoprador de apitos foi repetir aquela indumentária. Não é possível que um juiz use roupas mais apertadas do que a da MOÇA DO GERASAMBA. Em nome da decência no vestir dos magistrados e em respeito à mãe de todas as batalhas, o BA x VI, a diretoria deveria ter vetado o desinfeliz. Ao Juiz não é permitido vestir aquelas roupas indecentes. O magistrado tem que andar mais alinhado do que meio-feio, conforme ensina minha amiga Laura Vasconcelos, ela que exerce tão nobre função na briosa cidade de Propriá, no não menos brioso estado de Sergipe. No entanto, nossa atual diretoria, tão ordinariamente desinformada e desavergonhada, deixou correr frouxo. E o resultado foi aquele injusto 2 x 0 para o Itinga.

P.S. Mesmo contra a poderosa aliança que envolve pefelê, pemedê, petê, TRE, STF, Ibama e que agora incorporou a própria diretoria do Vitória, a multidão rubro-negra ainda grita o BRADO louco de fúria:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO.

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19 Respostas to “É preciso respeitar a mãe de todas as batalhas”

  1. Superman Says:

    Bom, pelo menos conformado você está.
    Rumbora meu Baêêêêaaaa. Rumbora que dia 22 de março tem mais!!

  2. Mateus Borba Says:

    Vou nem falar nada…

  3. Renato K. Says:

    Amigo Franciel, como comentei lá na ImpedCorp … que frango, meu caro, que frango. Quase o pai de todos eles.

  4. victor Says:

    A culpa é da torcida, que fica incentivando as palhaçadas desse vagabundo colombiano. Pedem até pra ele bater falta. Tenha Santa Paciência.

    Victor, meu velho, um pouco menos. Acho que Viáfara tem sido até hoje um dos melhores goleiros dos últimos tempos. Tem agilidade, reflexos e bate muito bem na bola, fazendo lançamentos precisos.

    Agora, acho sinceramente que faltou alguém da diretoria, da presidência da república, do consulado colombiano, do caralho, dizer para ele que o ba x VI é outra coisa, muito mais importante do que futebol. É o Jogo. E nele não é admitido brincadeira de goleiro. Acho que a fatalidade ocorreu exatamente por isso. Por ele não ter esta percepção de que o ba x VI é uma coisa à parte.

    Sobre isso, posso evocar o testemunho de amigos que estavam comigo. Na hora do drible, eu cantei a pedra. Esqueceram de avisar Viafara sobre a importância do ba x VI para a rotação e translação da terra.

  5. Lucas Serra Says:

    Pois é Franciel,

    Como dizem que o diabo mora nos detalhes.

    Perdemos por causa do diabo, por causa dos detahes: torcida do Jahia atrás do gol, juiz inadequado, gol anulado…

  6. Flávio Alves Says:

    Meu velho, a torcida do Bahia ficou tão espremida quanto a do Vitória. Ou melhor, se houve um espaçozinho a mais, embaixo do alambrado, nas faixas, é porque a divisão feita pela polícia pra separar tricolores dos rubronegros que ocuparam pequena parte da arquibancada do lado esquerdo das cadeiras fez com que fosse possível uma maior flexibilização. Mas o bicho pegou na torcida do Bahia, o que é mais injusto porque nós tricolores desde sempre não compactuamos com a qualificação de estádio de verdade atribuída àquele local. O problema é que aquilo que vcs chamam de estádio não tem capacidade de 35 mil pessoas. Esqueceram de fazer no Barrancão a recontagem que foi feita em todos os estádio brasileiros. Lá ainda se vive na época em que estádio de futebvol era igual coração de mãe. Enquanto isso, Pituaço, moderno, de acesso zilhões de vezes melhor que o do Barrancão, tem sua plena e indiscutível capacidade ceifada. Há explicação pra isso? Cadê o complô pra ajudar o Bahia?
    Ora, voltando à questão da presença do público, a torcida do Bahia ocupou 40% do estádio porque foi mais ou menos 40% do público. A diretoria do Little Vitória apenas consertou um erro que vem cometendo a muitos Ba-vis: parou de espremer a maior torcida do estádio naquela curva do lado esquerdo das cadeiras. E, como ali não cabe 35 mil pessoas, dessa vez todo mundo ficou espremido. Quem reclama dos 40% de espaço só pode estar entre aqueles que acham que deve haver cota pra torcida visitante em clássicos. Isso não existe, nem pode existir. Fazem isso no sul, mas na Bahia não podemos deixar que aconteça. QUEM TIVER MAIS BALA NA AGULHA, que bote mais gente. E a partir da presença de público verificada a polícia trace sua estratégia e faça seu cordão de isolamento móvel. Na Fonte Nova nunca houve limite pra torcida visitante. No Barradão nunca houve oficialmente tb, porém espremia-se a torcida do Bahia que, há tempos, está indo em boa quantidade (e a tendência é sermos maioria em breve, acabando com o absurdo que é o Time do Povo da Bahia ter uma torcida minoria dentro de Salvador). O que aconteceu domingo, portanto, com a torcida do Bahia em maior com mais espaço, foi um avanço.

  7. Franciel Says:

    Flavio, meu velho, deixando paixões clubísticas de lado, vamos aos fatos. Por que fato é fato e meninico é meninico.

    Porém, antes, uma questão metodólogica. Façamos como o menino Jack. Por partes.

    Historicamente, a torcida daquele time que não ganha título há sete séculos sempre foi maioria aqui em Salvador. Quando comecei a ir na Velha Fonte, antes da existência do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, a diferença era de cerca de 70% contra 30%.

    Com a redemocratização brasileira e o fim da ditatura, os métodos arcaícos praticados pelo time da periferia de Lauro de Freitas foram um tantinho assim coíbidos. Como consequência, os títulos foram minguando na mesma proporção da torcida. Nesta época, passou a ser algo 65% x 35%.

    A partir do final dos anos 80 e na década de 90, este percentual continuou a cair e ficou na base de 60% x 40%

    Com a total HEGEMONIA Rubro-Negra nos anos 00, esta diferença tem diminuido constantemente. É fato que ainda há uma maioria incolor, não vou negar, mas este percentual tá ali já próximo da casa da igualdade.

    Isto é verdade e dou fé.

    Bom. Terminado estes aspectos históricos, vamos à peleja de domingo.

    Desculpe-me, mas preciso lhe corrigir. E faço isso com a autoridade de quem frequenta o Glorioso desde antes dele ter se tornado o Monumental Parque Sócio Ambiental. Seguinte.

    Já vi jogo lá com mais de 40 mil pagantes (eu disse pagantes), a exemplo de Vitória x Atlético MG, Vitória x Juazeiro e até mesmo jogos beirando os 50 mil pagantes, a exemplo de Vitória x Itinga. E isso sem contar os penetras.

    Assim, garanto-lhe que cabem 35 mil pessoas ali conforavelmente instaladas. Aí você pode perguntar: então, por que domingo estava muita gente espremida? Antes de responder, faço nova correção. Os sofredores que torcem para o defunto não eram 40% do total, apesar de ocupar 40% da área. E isto pode ser comprovado visualmente. Havia lugares vagos na sua torcida. Que havia aperto, havia, mas existiam também vários clarões, e não apenas por causa das faixas. Tanto é assim que vocês podiam ficar andando para lá e para cá na arquibancanda enquanto nós não podíamos nem nos mexer. Além disso, havia uma multidão, que não dava para você ver, ocupando toda a escadaria, além dos barrancos e outras lugares mais insalubres. E aí é que está um dos problemas. Com tanto torcedor Rubro-Negro mal acomodado, a Diretoria não tinha o direito de deixar a torcida visitante mais, digamos assim, confortável. Não pode. Não pode. E falo isso com a autoridade de quem acha que não deve haver segregação (a propósito, escrevei daqui a pouco sobre isso), mas que a vantagem deve ser dada ao mandante.
    Ainda fica uma pergunta no ar. A explicação sobre os 35 mil. Pois bem. Com aquela autoridade que lhe falei acima, eu vos asseguro: havia mais de 50 mil pessoas no Barradão. Em nenhum daqueles jogos que citei, tinha mais gente do que domingo. E o que houve? Sim. Uma evasão de renda monstra.

    Por enquanto, é só. Mas, continuaremos a debater democraticamente.

    Daqui a pouco volte, pois terá um texto que vai lhe interessar muito.

    Abraços e SRN rumo ao TRI.

  8. Fanático Says:

    Seu Jurandir chegou em Salvador num vôo da GOL, às 19:20 do dia 7 de
    outubro. Saiu do avião e partiu para buscar sua mala no saguão de
    desembarque. Como a bagagem demorava de aparecer na esteira, Seu Jurandir
    sacou a Maxi-Goiabinha que a aeromoça tinha lhe oferecido e ele havia
    guardado no bolso para mais tarde. A mala chegou, ele colocou no carrinho e
    saiu pelo portão para procurar um táxi.

    – “Quanto é o táxi até…

    Ele olhou um papel na sua mão e completou:

    … Ondina?”

    – “Ondina? 88 conto” – disse o motorista.

    Seu Jurandir fez cara feia, mas entrou no carro mesmo assim. Afinal, Seu
    Jurandir é paulista e veio conhecer Salvador pela primeira vez no alto dos
    seus 53 anos. O táxi partiu e logo depois que passou pelo túnel de
    bambuzais, o motorista fez um pedido:

    – “O senhor se incomoda se eu ligar o rádio?”

    Seu Jurandir observou o motorista. Era um homem que aparentava uns 40 anos.
    Tinha uma aparência serena, óculos escorregando pelo nariz e uma boina
    azul, vermelha e branca na cabeça. Seu Jurandir disse que não se
    incomodava, mas ficou surpreso quando o rádio ligou. Não era bossa nova ou
    MPB, nem pagode, arrocha ou axé. O que estava ecoando dos alto falantes do
    táxi era um jogo de futebol.

    – “É que eu torço pro Bahia, sabe? E esse jogo é decisivo” – explicou-se o
    motorista.

    Seu Jurandir não era muito de papo, nem de futebol. Assistia de vez em
    quando um jogo do São Paulo na TV, time que ele carregava uma certa
    simpatia. Por isso, ficou calado, ouvindo o locutor do jogo junto com o
    motorista. O locutor gritava:

    – “6 MINUTOS DE ACRÉSCIMO!!!”

    A cada berro do locutor, Seu Jurandir percebia que o motorista ficava mais
    nervoso. A aparência serena inicial dava lugar a um semblante de desespero.
    O homem suava e fazia o sinal da cruz enquanto o carro passava pela Avenida
    Paralela.

    – “Não é possível. A gente precisa de um golzinho só!!!” – desesperava-se o
    motorista.

    – “TERMINA O JOGO NO ACRE!” – berrava o locutor.

    – “Pelamordedeus, a gente só depende da gente!!!” – desesperava-se ainda
    mais o motorista.

    Seu Jurandir começou a ficar assustado. O motorista estava suando que nem
    cuscuz, embora o ar-condicionado do carro estivesse ligado no máximo.

    – VAI QUE DÁ BAHIA!!!! – berrava o locutor.

    – Vai que dá Bahia!!!! – repetia o motorista.

    Seu Jurandir já se segurava na porta do carro, quando o locutor recitou:

    – “É A ÚLTIMA CHANCE! LÁ VEM CARLOS ALBERTO, CRUZOU NA ÁREA, CHARLES DE
    CARRINHO…………………………………………………….

    GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!”

    O motorista começou a tremer, chorar e gritar ao mesmo tempo:

    – “É goool, é goool, é gooool, bora Bahêa minha porra, bora Bahêa, minha
    nirgraça!!! Aí bando de rubro-negro feladaputa! Toma aí!!! É a estrela! Eu
    disse, eu disse!!! É goool porra!! É gol do Bahia caralho!!”

    As mãos do homem tremiam, o táxi já não andava em linha reta. Agora, quem
    se desesperava era Seu Jurandir, que pedia assustado para o táxi parar.

    “Pára, pára!” – gritava Seu Jurandir.

    “Bahêa, Bahêa! – gritava o motorista.

    Meio que em estado de choque, o motorista finalmente encostou o carro no
    Posto 2 da Paralela. Bastou o táxi parar, para ele deixar seu Jurandir
    sozinho no carro e sair pela porta correndo e gritando uns 15
    Putasquepariu.

    Sozinho no carro, Seu Jurandir observava o cenário ao seu redor. Carros
    buzinando, fogos explodindo no céu, gente gritando, chorando, ajoelhando.
    Cada vez mais carros chegavam ao posto em festa, comemorando o que parecia
    ser um título inédito.

    Em meio ao buzinaço, o motorista voltou pro táxi.

    “Desculpa, senhor. É que é muita emoção. Esse time é foda.”

    Agora curioso, Seu Jurandir perguntou:

    – O Bahia foi campeão?

    – Campeão? Não, se classificou pro octogonal” – respondeu o motorista
    ofegante.

    – Octogonal?

    – É, o octogonal da Série C.

    – Da Série C? Terceira divisão?

    – É ganhamos do Fast, do Fast do Amazonas. 1×0, caralho!

    – “Sei, sei” – disse um incrédulo seu Jurandir.

    Ainda em êxtase, o motorista perguntou:

    “Pra onde é que o senhor está indo mesmo?”

    E o seu Jurandir respondeu:

    – “Pro aeroporto. Volta pro aeroporto que eu não fico mais um segundo nessa
    terra de maluco.”

  9. Flávio Alves Says:

    Achei bastante confusa e equivocada sua análise histórica.

    Vc diz que os títulos foram minguando a partir da década de 80, a divisão teria passado a ser 65 x 35, e depois, “a partir do fim da década de 80…”, teria passado a ser 60 x 40. Mas vc sabe muito bem, porque quem apanha não esquece, que na década de 80 o Vitória ganhou o mesmo número de títulos que na década de 70, ou seja, míseros 2 títulos. E porra, onde mesmo é que vc estava no dia 19 de fevereiro de 1989?

    Enfim, a década de 80 foi, desse modo, na verdade, a de maior disparidade entre os dois times, porque consolidou e ainda aumentou a hegemonia tricolor, com a vinda de mais uma estrela e com uma disputa bem mais desequilibrada em campo. Não teve redemocratização que desse por encerrados os métodos – admito – extremamente ditatoriais de humilhação no campo e na arquibancada estabelecidos pelo Esporte Clube Bahia.

    A diferença deve ter chegado a 65 X 35 nos idos de 97, com o boom que de fato ocorreu na então quase inexistente torcida de vcs após o vice-campeonato de vcs em 93 e após os anos dourados do início das atividades esportivas no aterro sanitário; anos que incluíram até, seria ofensivo esquecer, o Título da Uva, embora as seguidas desclassificações em fases iniciais do Brasileiro e a perda da maior final de todos os tempos do campeonato baiano manchem um pouco tão saudoso período. Isso durou até 97. Em 98 equilbramos e em 2001 e 2002 dominamos.

    A partir de 2003, vcs de fato entraram no seu primeiro e único período de real e consistente hegemonia no futebol da Bahia. Todos os estados já passaram por essas oscilações, trocas de hegemonias, e infelizmente uma hora isso chegou à Bahia. Mas o curso natural logo se reestabelecerá e…

    Enfim, como eu ia dizendo, a partir de 2003, vcs tiverem total hegemonia, inclusive na terceira divisão junto com a gente, e assim suponho que, embora essa não seja uma lógica necessariamente verdadeira (vide o clássico caso do Corinhtians nos 23 anos sem título) tenhamos algo como 60 x 40, com no mínimo, no mínimo, no mínimo, essa diferença de 20%. Alguns torcedores do Bahia querem me bater quando afirmo isso, mas meu compromisso é com a verdade. Seu texto, por outro lado, certamente escrito ainda de cabeça quente, insinuou um absurdo que espero que vc corrija. Peço pela sua sensatez e conversemos de maneira franca. Olhe as ruas, olhe os colégios, olhe as buzinas dos taxistas na hora dos gols; analise de preferências as regiões de classe média-baixa e baixa, onde está a grande maioria da população da cidade. A parte nosso maior fanatismo, não tem pra onde correr, essa cidade ainda é do Bahêa…

    O jogo.
    Do jogo vou falar apenas o seguinte.

    Se houve evasão de renda então tá explicado. Mas então há todo Bavi, pois no penúltimo mesmo deve ter dado umas 25 mil pessoas e já tava bem cheio.

    E quanto às torcidas é simples. O que eu vi na torcida do Bahia foi muito aperto e gente de pé. Mas se estava mesmo mais folgado bastava parte da torcida do Vitória se deslocar pro lado esquerdo das cadeiras, onde já havia um certo número de rubronegros, além de uma certa faixa mista de arquibancada, sob os olhos da PM. O espaço estava lá! O que simplesmente não podia acontecer, por absolutamente inviável, impossível, é manter-se a torcida do Bahia naquele lugar tradicionalmente a ela destinado naquele desagradável e monumental buraco, pelo qual, eu confesso, já nutro uma boa dose de afeição.

  10. Flávio Alves Says:

    Ah sim, mais tarde voltarei afim de ler seu prometido novo texto.

    Abraços,
    Saudações tricolores de aço.

  11. Franciel Says:

    É, Flávio, tá difícil. Se eu fosse uma pessoa indelicada, recomendaria um curso de intepretação de texto. Mas, vou dar um desconto por causa da sua felicidade efêmera.

    Companheiro, ouça bem. Eu não disse que os títulos do defunto foram minguando a partir da década de 80, mas a partir da redemocratização do Brasil.
    Escute. Ganhamos o título da redomocratização, com aquele timaço comandado por Bigu e o Nigeriano Ricky. Primeira aula de matemática aplicada ao futebol. A partir do fim do ancien régime, vocês ganharam 3 títulos e nós 2. Ao contrário dos tempos temerários, quando, bom, deixa pra lá. Não preciso repetir, né?

    Nos anos 90, metemos 6 x 4. E nos 00, então…

    Agora, amigo, sou obrigado a lhe dar um puxão de orelha. É vero que a história do finado é feita de apropriação indébita, mas não queira para si o campeonato de 2002. Epa. Isso, não. Ele é meu. Ninguém tasca.

    E sobre aquele único (e mixuruca) título nacional de 89, seguinte é este. Naquela época o futebol brasileiro estava na lama. Tanto é assim que na copa de 90 foi aquela vergonha lazarônica.

    A minha segunda colocação de 93 é mais valiosa. Já que o futebol brasileiro estava no auge e acabou reconquistando a hegemonia mundial no ano seguinte.

    Daqui a 10 minutos, o novo texto estará no ar.

    Abraços e SRN rumo a mais um TRI.

  12. Flávio Says:

    Pois bem. Eu pensei nessa possibilidade interpretativa, mas como vc primeiro falou em década de 80 e depois falou no fim da década de 80, só me coube optar por uma visão mais ampla do conceito de redemocratização, que incluísse a década de 80 como um todo. Pois afinal, que tantos anos 80 foram esses que primeiro fizeram mudar 10 pontos de diferenças, com uma suposta diminuição dos títulos do Bahia, e depois, já a partir do seu final (do final da mesma década), tenha tirado mais 10 pontos, pelo mesmo motivo?
    Fui entendido?
    3 títulos pro Bahia e 2 pro Vitorinha é algo que aconteceu, por exemplo, nos primeiros anos da década de 70. Tudo bem que vcs apanhavam bastante, mas ainda assim um 3 a 2 assim perdido não era nada de outro mundo, mesmo na década do Hepta, que é o que vc deve chamar de tempos temerários.

    Eu não sou um cara insensível e te entendo. Mas tenho momentos de crueldade e quero agora acabar com o conforto no seu coração que é a ideia de ter sido roubado. “Só perdi porque roubado”, não é assim que vc pensa? Pois bem, vc tem ALGUM trecho do livro de Osório que fale compra de jogador ou árbitro? Unzinho. UNZINHO. Confere a informação de que o livro foi publicado em 72 (ou 73) (antes do hepta)? Catimba e pressão não valem porque isso seu presdiente fez a rodo na década de 90 (entrar em campo pra pressionar o juiz por exemplo). Confere a informação de que Osório foi presidente do Bahia na década de maior desconcentração de títulos no estado e a única, antes de 90, em que o Vitória teve a mesma quantidade de títulos do Bahia?
    Não quero estragar o único conforto de vcs, mas veja, o único roubo que existiu foi o roubado da dignidade do Vitória, porque esse, embora chegasse a montar bons times, foi estuprado seguidamente nos campeonatos baianos da década de 70. O resto é abstração e fé – e contra fé não há argumentos.

    Xeu ver aqui o que vc escreveu mais.

    Década de 90 foi 5 a 5. Ou 5 a 4, no máximo. Vcs tinham um presidente que ameaçava a torcida do Bahia e mal tratava a diretoria do Bahia, ameaçando até de pôr os caras pra assistir na arquibancada. Tinham tomado um CHOCOLATE no domingo anterior, exatamente idêntico ao que aconteceu na primeira final do segundo turno de 98, com o velho pitbul Uérlei mais uma vez ganhando o duelo contra o sérvio.

    Sobre 2002, vc sabe, nós ganhamos um título que vale por 3 campeonatos baianos. Ganhamos bi do Campeonato do Nordeste, maior torneio regional da história desse país. Torneio fascinante e que deveria voltar a ser realizado. Vcs, por sua vez, ganharam um Baiano que não valeu nem 1/3 do que um campeonato baiano vale normalmente. Foi logo após o Nordestão, numa época de extrema desvalorização dos estaduais. Vamos ser francos, beleza? A verdade é essa. O título (bem) mais importante daquele ano foi nosso.

    Quando falei do nosso segundo título nacional (o primeiro tendo sido contra o maior time de futebol de todos os tempos, o Santos de Pelé), não foi nem pra provocar e bater em cachorro morto. era só pra resaltar o quanto esse título contribuiu pra que o Bahia não perdesse torcedor nenhum, ainda que houvesse minguação de títulos estaduais – o que não houve de forma alguma.

    Mas vc superou qualquer expectativa em sua resposta. Non sense total. Vejamos o que posso falar.

    A Copa de 90 foi perdida pelo Brasil mais por Lazaroni do que por que por qualquer coisa. O Brasil tinha jogador até pra superar a escalação de 94. A zaga era melhor, com o craque Mauro Galvão e o ataque poderia ter tido os mesmos Romário e Bebeto (com o grande Charles no banco!) e ainda tinha Careca virado na porra, pra embaralhar. O meio de campo de 94 não era NADA demais, assim como o de 90.

    No mais, o Bahia disputou a série A em 88. Não disputou uma espécie de série B, jogando contra Remos e Paysandus, pra pegar os grandes só na fase final. Tivemos a vantagem de não pegar o grande time do campeonato, a “sele-Vasco”, que parou no Fluminense, mas e quico? O Fluminense tomou o dele. Certeiro. Fomos bi-campeões e vcs são vice e é isso, eternamente, a diferença será essa.

    ST

  13. Franciel Says:

    Não, Flávio, não. Você anda vendo asombrações e se perdendo na matemática. Talvez seja crise de abstinência. De títulos.

    Em nenhum momento (repetindo em caixa alto, maestro, para ver se Flávio escuta), EM NENHUM MOMENTO eu escrevi “década de 80” e muito menos o nome de OSORIO. Os tempos temerários de que falo e que você mesmo acaba concordando são os anos 70, quando vocês eram dirigidos por aquele que também não ouso dizer o nome. Compra de juiz, de goleiro de meu time, o diabo. Agora, me diga onde citei Osório? (Não sei por que diabos você botou Osório na ciranda. talvez ato falho). Além de péssimo cartola (desculpe-me a redundância), o livro que nem foi escrito por ele é péssima literatura. Não gasto meu tempo com isso.

    E aí é que está o problema. Você cria sua argumetnação a partir do que eu não disse. E fica algo meio que fantasmagórico. Delirium Tremens. Abstinência titulirística. Meu espírito cristão compreende e perdoa.

    Que mais? Às aspas. “Ganhamos bi do Campeonato do Nordeste, maior torneio regional da história desse país”. Beleza. Parabéns. Este “maior torneio regional da história deste país” já levei três vezes. Na verdade, quatro, mas nem considero o de 76. Dou de lambuja.

    É isso. Aliás, não. Tem a pendega relativa ao título nacional, né?. POis bem. Já que não aceitas que o futebol brasileiro estava às traças, conforme é de conhecimento de todo o Norte e Nordeste de Amaralina, relembro que o lateral direito de vocês era um cara chamado, como é mesmo o nome? nem lembro. Em verdade vos digo: Se eu ganhasse alguma coisa com um lateral direito daquele devolvia o título na hora.

    Quanto à grande conquista diante do Ssantos de Pelé, outra bobagem. Você sabe quantos times o Itinga enfrentou naquela ocasião? Não? Não sabe? Eu lhe digo. Uma mixaria. menos de meia dúzia. Exatamente cinco, para você não se perder novamente na matemática. E entre eles as poderosas equipes do Ceará e…CSA. Naquele mesmo ano, vocês passaram pelo Sport, não sem antes levar 6 x 0 na sacola. Ah, sim. Nesta importante compettição ainda brilhavam as briosas equipes do ABC (RN), Rio Branco (ES), Tuna Luso (PA), Ferroviário (MA), Hercílio Luz (SC), Auto Esporte (PB), CSA (AL) e…Manufatora (RJ). Eu acho é graça.

    Quanto ao tal Santos de Pelé, de quando em vez, costumava fazer papelões. Tomou um chocolate de 6 x 2 em meados da década de 60, mais especificamente em 66 para que voc~e não confunda as datas.

    Saudações rumo a mais um TRI, limpo.

  14. Flávio Says:

    Ato falho, é? Mas rapaz: quando acho um de vcs que vêm com esse papo é sempre se baseando no livro de Osório. E quase sempre sem ter lido o livro de Osório. Se não é o seu caso, teu chororô é até mais respeitável, porque se assemelha mais àquele chororô pós-jogo a que todo torcedor tem direito.

    Nordestão. Vcs não têm três Nordestões. Tem dois e mais esse de 76, que eu não sei como foi. Pro de 2003, faça-me uma garapa, aquilo foi mais fácil de ganhar do que o campeonato alagoano. Sem os pernambucanos, sem Fortaleza, sem América de Natal, sem o bi-campeão Bahia. Sem vários. E as únicas duas vezes que aos Nordestões foi dada mais importância que aos estaduais foram em 2001 e 2002, quando deixou de ser copa, mais curta, pra ser Campeonato do Nordeste.

    Esse 6 a 2 que levou o Santos de Pelé foi na final de 66, contra o Cruzeiro de Tostão, que salvo engano aparecia pro futebol naquela época. Foi histórico. E aconteceu depois de 5 taças seguidas do Santos. Após aquele ano, a Taça perdeu em importãncia, dando lugar ao Robertão. No fim, só o Bahia e o Cruzeiro, ao menos entre os brasileiros, conseguiram tal proeza de ganhar do Santos de Pelé em seu auge numa final.

    O fato é que a Taça Brasil é torneio nacional, ainda que não seja considerada pela CBF o equivalente ao campeonato nacional. Na pior das hipóteses, portanto, ela é como a Copa do Brasil. Nem a CBF o nega. Isso explica a participação dos times pequenos que vc citou, dentre os quais, por sinal, não houve nenhum campeão. Mas não essa como essa Copa do Brasil atual, ganha pelo Sport e sim como a Copa do Brasil antiga. A Copa do Brasil de antes de 2001, quando todos tinham possibilidade de jogar; hj os principais times, os da Libertadores, não podem jogar, fica mais fácil. A diferença, porém, que faz com que a Taça seja até mais do que a Copa, é que os jogos eram melhor de 3, o que dá menos chance a zebras, e, segundo, era o único torneio de aferição nacional, o que a Copa do Brasil nunca foi. O campeão inevitavelmente ganhava a alcunha de campeão nacional e era o único representante brasileiro na Libertadores. Isso tudo não é pouco.

    Não peço pra vc ajoelhar-se e aceitar tal realidade, mas garanto que sua luta é árdua e vc dá murro em ponta de faca: prum clube nordestino, o Bahia tem uma história fantástica!

    Saudações rumo ao 44º título baiano, limpo.

  15. Franciel Says:

    Flávio,
    seguinte. Você já reconheceu que nem a miséra da CBF dá crédito àquele torneiozinho que era disputado por poderosas equipes do tipo da Manufatora (RJ). Fez também um mea culpa em relação à citação a Osório. Além disso, fez ouvidos de moucos sobre o título ganho com aquele lateral direito. Reconheceu que o Rubro-Negro é, pelo menos, TRI do que você classificou de “competição regionla mais importante do país”.
    Que mais? Não tá bom. Nós aqui somos igual àquelas mercerias de antanho: “Nossos clientes têm sempre razão, principlamente os clientes novos”.

    Dou por encerrado este debate e talvez transforme em um post ou reproduza na íntegra do espaço principal. Oquei?

    Abraços.

    E que o campeão (que creio será o Bitória) ganhe o título limpo.

  16. Flávio Says:

    Risos.

    Vc deturpou levemente meus comentários, mas se a discussão vai ficar pras pessoas lerem, elas poderão tirar suas conclusões.

    O Vasco foi campeão brasileiro de 97 com Odvan na zaga.
    O nome de meu filho será Tarantini.

    Encerro os trabalhos tb.

    Abraços

    P.S Bom cineasta.

  17. Flávio Says:

    Só mais um detalhezinho, que eu tou férias e coçando o saco. (Hj fui comprar o pão com a minha camisa estrelada e só tinha Bahia na rua, como sempre aliás)

    Aí vai o detalhezinho:

    Se o representante do Rio foi esse tal de Manufatura é porque na época existiam dois estados, o Rio de Janeiro e o Estado da Guanabara. Vasco, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Bangu etc. disputavam a Guanabara. E quem representou esse estado foi o Vasco, que parou no Bahia na semi-final.

    Os outros times pequenos citados tb representaram seus estados. Assim como sempre ocorreu na Copa do Brasil. Naquele ano o Santos representou o São Paulo, o Grêmio o Rio Grande do Sul e por aí vai. Da mesma forma que hj em dia o Baraúnas costuma representar o Rio Grande do Norte…

    Saudações tricolores.

  18. Matheus Says:

    Amigo blogueiro Franciel,

    Eu confesso que odeio o vicetória, desprezo tudo que se refere a esse urubu metido a leoa, e nunca leio, nem acesso nada que se refira a essa carniça, seja em jornais, na internet, na rádio ou na tv, nem mesmo ouço pseudo-cantoras como Ivete Sapata. Sempre por dois motivos: para não dar ousadia, nem renda ao seu time às minhas custas e porque toda manifestação cultural do vice é sempre imitação de algo do Bahia( por exemplo, seu “vamo vicetória carajo” é imitação do inigualável “Bora Bahêa, minha porra”) ou do Flamengo (por exemplo, o grito de NEGO é imitação do grito de MENGO). Mas tenho que confessar que- apesar de reconhecer em você o ranço da mania de perseguição que todo torcedor do uvice tem- o seu blog é a única manifestação cultural ligada ao vice pela qual adquiri respeito, a partir deste momento. Esse respeito se deveu a esse diálogo travado entre você e o tricolor Flávio. Uma discussão totalmente de alto nível, respeitosa na medida do possível, e que me deixou pasmo com sua habilidade em “tapar o Sol com a peneira”. Encontrar defeitos até nos títulos brasileiros do Bahia, enquanto exalta o torneio Bahia-Rio Grande do Norte de 2003, foi hilário e, confesso, de uma habilidade incrível para criar sofismas. Impressionante também a sua matemática para afirmar que a Bahia agora é “quase metade-metade” entre as torcidas de Bahia e uvice. Você só perdeu para Dostoievisk, que disse, mais ou menos assim: que a Lua é mais importante que Sol, porque aquela ilumina durante a noite, quando tudo está escuro, enquanto o Sol ilumina durante o dia, quando tudo está claro e, portanto, ninguém precisa dele. De qualquer forma, mostrou que o senhor possui uma excelente imaginação, digna de que eu leia futuros posts deste blog.

  19. Maria Xiquinha Says:

    Franciel,
    ler os textos e os comentários em seu blog é qualquer coisa… como direi… orgásmica kkkkkkkk Aqui só tem gente GRANDE, cara. Quiéisso?
    Parabéns a você e a seus comentarista.
    Bom demais!!

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