Eu já ensinei aqui, mas repito: Convição é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e já estamos do outro lado da rua defendendo a tese que há pouco tempo abominávamos. Porém, nem pensem que não é sadio. Ao contrário. Afinal, como já disse outro Francis (o Bacon): “Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar”.
Pois bem.
Durante muitos séculos, sempre associei o otimismo à alienação. Havia, inclusive, uma frase do personagem principal de A Bricadeira, um dos poucos bons livros de Milan KJundera, que eu gostava muito de citar. “O otimismo é o ópio do gênero humano”.
E eu falava e repetia esta sentença com um misto de arrogãncia e superioridade, pois os pessismistas têm esta mania horrível de achar que são mais inteligentes só pelo fato de serem assim.
O tempo passou, voou, a poupança bamerindus se fudeu toda e eu abondonei esta postura cômoda e covarde. Sim, cômoda e covarde, porque é sempre fácil apostar no erro, na tragédia e depois ficar sentado na cadeira de balanço apontando o dedo: “Eu não falei?”.
E quem me fez mudar de idéia, por mais contraditório que possa parecer, foi o poeta Ferreira Gullar, alguém que hoje não nutro a mínima simpatia – até porque o mesmo é um defensor ferrenho de José Sarney, uma espécie de ACM do Maranhão.
Porém, há pouco mais de 10 anos, o referido intelectual me fez mudar de idéia quando deu uma entrevista no Roda Viva e largou as seguintes prosopópeias.
“ Eu costumo dizer que a coisa mais fácil do mundo é ser pessimista. O cara vai ficar velho, brochar e morrer, de modo que tem que ser pessimista [risos]. Então, ser otimista diante desta situação [é] que é difícil. Então, eu acho… porque a minha visão é que o mundo é feito por nós. O homem é uma invenção dele, se ele for pessimista, ele entrega os pontos. Porque não tem quem faça, é ele quem ter que fazer, não pode ser pessimista, tem que encarar a realidade e ir em frente. O pessimismo só desarma o cara, entendeu? Não conduz a nada”.
Pois muito bem.
Exatamente agora, faltando pouco mais de 10 minutos para começar as pelejas decisivas para o destino do Rubro-Negro, eu me lembrei disso e decidi postar aqui rapidamente para não ser acusado de engenheiro de obras prontas ou profeta do acontecido.
Vocês podem debochar de mim, fazer cara de desprezo, mas eu lhes asseguro: Vou agora para a frente da TV com a certeza de que é possível.
Amém.
* Depois explico os porquês do título. Agora não dá porque a bola já vai rolar.
novembro 26, 2011 às 6:53 pm |
Palavras da salvação.
Só espero que tenha um leão vivo dentro da caixa.
novembro 26, 2011 às 9:37 pm |
Sou um otimista inveterado! Quando, em 2003, o Bahia levava 4 x 0 daquele Cruzeiro fantástico, eu, ouvindo pelo rádio no interior, acreditava que o Bahia ia virar! Admiro o seu otimismo, mas só posso lhe dizer, agora, uma coisa: Vai chorar é?
novembro 26, 2011 às 10:19 pm |
Não sou daqueles que acreditam em bruxas, mas…
1) Disputamos com o Atlético de Goiás a permanencia na Série A/2010, no Barradão. Perdemos!
2) Disputamos com o Santos a Copa do Brasil, no Barradão. Ganhamos, mas… Perdemos.
3) Disputamos com o Botafogo/Pb a permanencia na Copa do Brasil deste ano, no Barradão. Perdemos!
4) Disputamos com o Bahia de Feira a final do Baianão/2011, quando jogávamos pelo empate, vencíamos, no Barradão. Perdemos!
5) Disputamos a vaga no Séríe A/2011, vencíamos o jogo até os 43/44 min do segundo tempo, no Barradão. Perdemos!
6) Disputamos a partida final do acesso da Série A, contra o ASA. Vencemos, mas Perdemos!
… está claro que, no Vitória, elas existem sim ( as bruxas)!
novembro 27, 2011 às 4:28 pm |
de fato, seu “françuel gullar”, foi possível. ganhamos do asa mas… perdemos como realçou o leonino ivan, acima.
na realidade nem perdemos quando marquinhos se machucou, nem mesmo quando perdemos semana passada, vexatoriamente, em nossa casa.
perdemos quando, na virada do baianinho para a série b, vimos um time inteiro ser desmontado e despido também de seus ídolos como nós outros tantos já citamos em mensagens também outras.
mas antes assim.
desde que os pontos corridos vieram para ficar, para o bem do próprio futebol (que vençam os melhores, os mais competentes – diferente do que ocorre no mundo dos pobres mortais) sou partidário de que melhor do que “subir” pura e simplesmente, o melhor é “como se sobe”.
quero dizer, se o vitória não fizer por merecer, que fique e se reinvente, não apenas para subir se rastejando entre a quinta e quarta colocações, mas para ser campeão daquele torneio de várzea, cáspita!
para isso, que a diretoria tenha aprendido a lição (será??) e saia de seu marasmo para se antecipar, dispensar essa renca de jogares descompromissados e montar um time de responsa para 2012.
feliz natal.
novembro 28, 2011 às 1:51 pm |
E esse márquetin com sua publicidade profética!!! Eu botei fé e o Leão subiu!!! Parabéns ao eSPORTe CLUBe DO RECIFE!!! Parabéns ao Franciel pela sua fé inaudita e à nação(?) rubro-negra por mais uma oportunidade de calçar as sandálias da humildade! Diz um jargão neopentecostal (seja lá o que isso for) que “é no vale que vêm as maiores vitórias”. Feliz vale, feliz 2012 para o brioso leão baiano!