Cristão ortodoxo, desde sempre sigo os ensinamentos do menino Jesus, principalmente aquele que recomenda oração e vigília. Por conta disso, prossigo neste vale de lágrimas mais alerta do que escoteiro e até mesmo do que porteiro de brega.
O problema, Senhor meu Deus e meu Pai, Espírito Santo, Criador Onipotente, Divino, Maior de Todos, Fura-Bolo e Cata-Piolho (copiraite Marconi Leal), é que meu esforço tem adiantado porra de nada. E em verdade (e contrito) vos confesso: “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”.
No último sábado, por exemplo, do nada, um rapaz chamado Fábio Domingada visitou a briosa caixa de comentários do Ingresia dizendo que meu texto era bom. Até aí – como diria Arthur Schopenhauer com seu jeito enfadonho – tudo bem. O problema, Meritíssimo, foi que o referido falou, sem rubor na face, que existia um blog escrito pelos torcedores do itinga.
É óbvio, Mestre dos Mestres, que não levei a sério. Afinal, apesar de acreditar em Vossa Excelência e em outras coisas invisíveis, entendia que abstrações têm limites. E sabia que era impossível a existência de um blog deles por conta da seguinte problemática, que trazia em si um contradição em termos: como é que as injúrias que torcem para a equipe que habita o subsolo do futebol brasileiro podem ter um blog se não sabem escrever? Impossível, repito - a não ser que os coitados tenham contratado um ghostwrite. Mas como, ô Pai Celestial, se só vivem passando cheques sem fundo e não pagam nem aos funcionários?
Diante desta impossibilidade lógica, larguei de mão. Porém, como bem sabes, ô Criador dos Céus, da Terra e da Julianne Moore (mais royalties para Marconi que o coitado tá precisando), o cão atenta. E cliquei na disgrama do endereço que o desinfeliz me mandou. E não é que existia realmente o tal blog! E mais espantoso ainda: pareceu-me até engraçado. (Os que duvidam podem clicar também neste linque).
Pois então, Meu Altíssimo Jesus, Meu Niemeyer Mais Novo (não vou dar mais crédito porra niúma), fiz igualmente a São Tomé. Voltei lá novamente para crer. E foi aí que se fez a luz. E percebi que minha primeira impressão estava errada. O que eu pensava ser humor, na verdade, não passava de delírio, embriaguez, sim, cana mesmo, canjebrina errada do cabrunco.
Para que o Senhor tenha uma idéia, o tal do Fábio estava lá honrando o seu (lá dele) bandeiroso sobrenome e fazendo uma domingada de envergonhar os 15 continentes. Completamente encachaçado, ou talvez sofrendo de DELIRIUM TREMENS por conta da abstinência titulirística, ele dizia que o time da periferia de Lauro de Freitas era o bom, o retado, o maioral porque ganhou um torneiozinho furreca que nem a ordinária cbf (deixa em caixa baixa mesmo, revisor fidumasanta) reconhece.
Ô, meu Generosíssimo Pai Eterno, perdoa-o. Ele não sabe o que diz. E, além disso, bebe em demasia. E, como o Senhor sabe, os de bêbados não têm dono.
Por tudo isso, peço a Vossa compreensão para com o desinfeliz. E peço também que Vossa Excelência me permita furtar a sábia sentença de Bento XVI e perguntar ao indigitado. “Por que esta agonia da porra, incréu? Afinal, o Norte e Nordeste de Amaralina sabem que o único título de alguma relevância que vocês ganharam foi a Copa Renner porque vocês gostam mesmo é de levar TINTA”.
Palavras da salvação. Glória a vos, Senhor, per omnia secula, seculorum e UMBORA BITÓRIA, CARAJO! AURRERA GASTEIZ,ZAKIL!ABANT GASTEIZ, ARRAIO! e amém.